Arquivado em: Eu Crítico (minha opinião sobre o q anda acontecendo)

Acho que não lerei mais nenhum livro antes de ver um filme adaptado.
Decepção a parte, a Bússola de Ouro foi até legalzinha… um ótimo entertenimento durante duas horas. Horas muito mal aproveitadas. O livro é riquíssimo, o filme deixou muito a desejar, sim eu sei que no filme obviamente a história deveria ser cortada para adaptação, mas acontece que cortaram a essência do filme. Aquele Magistério não é na verdade, o magistério, e sim a Igreja. Porque mudar o nome? Será que é para não enfurecer o alto clero lá em Roma?
O Objeto
A Bússola, que foi chamada de bússola de ouro o filme todo, na verdade chama-se Aletiômetro o medidor da verdade e foi muito, mas muito mal aproveitada (no áudio original você escuta o nome verdadeiro, ninguém o chama golden compass). Não foi explicado o porque que era tão difícil interpretar o que a bússola dizia. A dificuldade para a interpretação da bússola aletiômetro estava no fato dos símbolos que ela continha terem milhares de significados cada um, ou seja, o aletiômetro poderia estar querendo dizer qualquer coisa! Na minha opinião, o personagem mais desperdiçado no filme foi Serafina Pekala, cujo dæmon sequer apareceu, uma garça gigante.
O Final
Quem leu o livro morreu de raiva no final. Isso porque não tem final! Sim, não teria mesmo, já que é uma trilogia. O problema é que o filme acabou antes do final do livro. Ainda havia mais uns dois capítulos para o final, onde Lyra iria em encontro do Lord Asriel e este abriria o portal para o dimensão visível na aurora boreal. Na explicação da intercisão, ficou uma bosta! Nicole Kidman interpretou a mulher má, porém não explicou o porque da intercisão no âmago que o livro traz. Ele explica que o tal do Pó (que não é droga ilícita) tem relação direta com o pecado original (tirando a igreja do filme, acabaram com o sentido do combate ao pó), e o dæmon era o responsável pela impregnação desse “pecado” no corpo das crianças, por isso que o dæmon se fixa, e não muda mais de forma. Removendo a ligação do dæmon com a criança, estariam impedindo assim que o pecado original adentrasse os pequenos, o que é horrível. Quem leu o livro até passou mal no capítulo onde Lyra acha Billy Costa sem seu dæmon, isso porque o dæmon era a alma da pessoa, seria como arrancar um pedaço essencial do corpo. Outro detalhe que o filme omitiu (que ódio!) foi o fato de Billy falecer em função da intercisão. Durante a fuga do complexo do mal (hehehe), Lyra acha os dæmons intercisionados sem seus donos, sem cor, brilho, desesperados com os olhos apagados e a esperança dilacerada, e com a ajuda do dæmon de Serafina os liberta.
Recomendo: Se querem ver o filme, não leiam o livro, senão vocês vão passar raiva. Minha mãe que não leu o livro, achou o filme maravilhoso. Realmente o visual do filme ficou divino, muito bem trabalhado. É, mas por fora bela viola, por dentro…
Até a próxima
P.S. STARDUST, o mistério da estrela foi tudo de bom. Depois faço uma resenha aqui, quando tiver tempo.
